
stay home

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Stay home, 2020.
Bordado feito à mão sobre linho.
76 x110 cm.
O trabalho Stay Home foi feito a partir de imagens retiradas do Instagram, selecionadas através da #stayhome. Os prints das postagens que exibiam mãos realizando algum tipo de atividade deram origem a esse bordado, emaranhado de mais de cinquenta mãos em gestos, formando uma sequência de imagens que remete à uma narrativa repetitiva que reproduz e reafirma a demanda contemporânea por criatividade e produtividade.
Desse modo, Stay Home é uma reflexão sobre o fazer, dentro do cenário atual, e surgiu de muitas perguntas e inquietações:
Como se darão as relações de ensino e aprendizagem, fazeres e trabalhos a partir da casa ou do que é local?
E em casa, como será possível nos colocamos à disposição da mão, sem a influência da presença massiva dos tutoriais e instruções, deixando emergir a liberdade dos gestos?
Como ficarão as dimensões da experiência e da criação em uma situação de ensino à distancia, através do intermédio da tela?
Até quando é válida essa tentativa apressada e emergencial de transpor para a um espaço virtual todo um modo de ensino aprendizagem?
Desse tipo de repetição instaurado nas redes sociais e nas vídeo-aulas também surgirá a diferenciação?
O quanto do nosso esforço produtivo é orgânico e corresponde, de fato, a demandas reais do nosso presente?
Diante da inflação da oferta de coisas a se fazer, como aulas, lives, sugestão de trabalhos manuais, receitas como fica o direito a fazer nada?
Seria a recusa do trabalho ainda um freio ou uma resposta ao modelo produtivo?
O que surge quando deixamos, intencionalmente, nossas mãos ociosas?