
cama-de-gato

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Cama-de-gato, 2010.
Vídeo 38'.
O vídeo Cama-de-gato é um empreendimento que busca por investigar o ser do pensamento. As operações poéticas foram orientadas pelas linhas que pululam da sua problematização: sua expressividade, sua insistência na diferenciação, sua capacidade de articular uma miríade de relações temporais, de furtar-se ao presente, de lançar-se no caos e extrair de lá o inédito.
Desse modo, ao existir como vídeo, Cama-de-gato tece relações com contexto artístico contemporâneo não apenas pela temática, ou pelo emprego, na sua realização, de recursos atuais tecnológicos, mas, principalmente, pela sua potência transdisciplinar, dialógica, produtora de heterotopias e heterocronias.
A imagem é acompanhada pelas Variações Goldberg (ou Ária mit dreiBig veränderungen), de Bach. Com a utilização de tal informação sonora pretende-se enfatizar a reflexão acerca da Variação, forma musical, enquanto processo que resiste, igualmente, às tentativas de cristalização. As peculiaridade do cravo, instrumento utilizado na execução, somada às características da Variação, encontra surpreendentes equivalências com o modo de operação do vídeo. Assim como nas variações sonoras, cuja linha melódica altera-se a cada reapresentação, em um ou mais de seus elementos constitutivos (ritmo, compasso, tonalidade, modo), as camadas de traços da imagens se acumulam por sobreposição para renovar as configurações anteriores na coexistência com as atuais, privilegiando a diferença e valorizando as forças e tensões vitais.
Através do entrecruzamento desses conceitos, imagens, sonoridade e espaços, pretendeu-se erigir um campo de tensões de modo a propiciar o irrompimento de novas sensibilidades. Apropriar-se e transformar um espaço em campo de experimentação estética é atuar como a linha de Cama-de-gato e arrastar subjetividades para além do estável e do instável, do material e do imaterial, do fixo e do móvel, para além do próprio sujeito.